A prática clínica aplica a lógica de James Joyce que a psicanálise chama de “saber-fazer” com o sintoma.
Essa prática traduz-se em escuta da falha. Se um paciente comete um ato falho ou “inventa” uma palavra nova durante a sessão, isola-se a “letra” (como Joyce fazia com a língua) para ver como aquela invenção pode nomear algo que o paciente nunca conseguiu dizer.
Assim como a escrita sustentou James Joyce como sujeito, na clínica busca-se identificar o que pode servir de âncora para o paciente. Para um, pode ser a arte; para outro, um projeto específico ou uma forma muito particular de se relacionar com o trabalho. O psicanalista sustenta o dizer do sujeito ao construir sua própria existência.
O sucesso de um tratamento é chegar a uma escrita de si mesmo. É quando o sujeito deixa de se queixar do destino e passa a usar os restos de sua história para criar algo novo, transformando o aquilo que é da orfem do trauma em matéria-prima criativa.Basicamente, o consultório funciona como um lugar, em que o paciente é o artista de sua própria subjetividade.
Seleção de vídeos de palestras, entrevistas e debates de Ivanisa Teitelroit Martins abordando temas variados da psicanálise e da atuação política.
Uma experiência do inconsciente
O livro Psicanálise – uma experiência do inconsciente, de Ivanisa Teitelroit Martins, busca contribuir para que a escuta dos psicanalistas seja cada vez mais psicanalítica, apesar da redundância aparente. A psicanálise não interpreta, mas questiona. Escuta, escande, interrompe, suspende, interroga a palavra, equivoca. A psicanálise se compara a um voo que não pode ser capturado, como um voo de um pássaro. A psicanálise é o saber mais subversivo e transgressivo jamais praticado: subverte e transgride.
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